O crime, como esperado, chocou os moradores do condominio. Na tarde desta terça nenhuma criança corria pelo residencial. Trancafiadas nos apartamentos, esperavam a tarde passar enquanto tentavam esquecer as cenas de barbárie testemunhadas na noite anterior, quando o estudante Cassiano Barcelos Rodrigues foi atacado por três adolescentes e um adulto na praça do condomínio.
"A gente gritava para eles pararem, mas não pararam. Deram muitas pauladas na cabeça dele, e chutaram muito", conta K., 12, testemunha da violência. Instantes antes de ser assassinado, Cassiano brincava com um vizinho. Nos bancos de concreto, onde um dia foi o playground, os suspeitos de 12, 14, 15 e 18 anos cheiravam éter em sacos plásticos, conforme relato de moradores.
Testemunhas contam que em determinado momento Cassiano correu atrás do amigo fingindo que bateria nele. Foi o que bastou para o trio intervir violentamente. Armado com um porrete de madeira um deles partiu para cima do menino, enquanto os outros começaram a chutá-lo e a socá-lo, indiferentes aos apelos das crianças que estavam por ali.
Quando a família chegou para socorrer o estudante, já o encontraram inconsciente. O garoto foi levado ao Pronto-Socorro de Pelotas (PSP), mas morreu.
Cassiano estava no hospital, quando a revolta explodiu nos apartamentos. Moradores partiram para cima dos suspeitos. O linchamento só foi evitado com a chegada de policiais militares, que os levaram para a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento.
Após dez horas de custódia na Polícia Civil, a juíza Alessandra Couto Oliveira determinou a internação temporária dos três menores na Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase). "A primeira audiência do caso já foi marcada para a semana que vem e o processo deve ser concluído em 45 dias, sob pena deles serem soltos", diz a promotora da Infância e da Juventude, Luciara Pereira. O maior de idade foi encaminhado para o Presídio Regional de Pelotas.
Repercussão
O choque causado pelo crime espalhou-se pelas ruas do Dunas, onde a família Barcelos Rodrigues vive há décadas. As aulas foram suspensas na Escola Municipal Dunas, onde o garoto estudava. "Cassiano era um menino tranquilo, alegre, que nunca causou nenhum problema a ninguém", conta a vice-diretora, Cleonice Santos. O crime era assunto em todas as rodas de conversas.
Fonte Diário Popular

