O número de mortes, aliás, segue crescendo e na comparação com 2013 aumentou 1,9%, passando de 1.985 para 2.023. Porém, conforme os técnicos do Detran, este dado tem seu lado positivo pois o aumento está abaixo do incremento de 6,6% da frota, que hoje é de 6 milhões de veículos e, também, do total de condutores habilitados que aumentou 3,7% e agora é de 4,5 milhões.
Ainda conforme o relatório aconteceram no ano passado 33 acidentes graves com mais de três vítimas contra 30 no ano anterior, o que manteve a taxa de vítimas por acidentes praticamente estável em 1,11 por ocorrência.
Ao destrinchar o perfil das vítimas o estudo confirma serem os homens jovens - com idades entre 18 e 39 anos - aqueles que mais morrem no trânsito. Este público representa 34% da população gaúcha, porém representa 43% das vítimas fatais. Entre 2007 e 2014, a participação dos jovens entre as vítimas de trânsito tem sido a mesma, oscilando em torno de 45%. Chama atenção o envolvimento de idosos em acidentes graves, que entre 2007 e 2014 subiu de 16% para 20%.
Calendário
Ao tabular os dados registrados pela Polícia Civil, a Brigada Militar (BM) e as prefeituras os técnicos do Detran montaram um calendário semanal dos acidentes. Este levantamento mostra ser a terça-feira o dia da semana no qual acontecem menos casos, enquanto nos sábados acontece o inverso. Se forem somadas as ocorrências de sexta, sábado e domingo representam 69,7% do total de registros ao longo das semanas.
Para se ter uma ideia do que isso representa, basta saber que somente no ano passado 1.068 pessoas morreram em finais de semana em todo o Rio Grande do Sul, sendo que 1.039 perderam suas vidas nas noites e madrugadas, geralmente indo ou voltando de festas.
“Devemos manter os programas que estão dando resultado, mas também pensar em novas soluções para enfrentar esse problema”, avalia o diretor-geral do Detran, Ildo Mario Szinvelski.
Tentativa de mudança
Criado em 2011, em Porto Alegre, o projeto Balada Segura começou a ser realizado em Pelotas em 2013 e desde então tem sido a principal ferramenta da Superintendência Municipal de Trânsito e da BM para tentar reduzir os acidentes nas ruas e avenidas da cidade, onde no ano passado 42 pessoas morreram, conforme os dados do Detran.
“A fiscalização da Balada mudou e segue mudando o comportamento da pessoas, temos notado uma redução significativa dos acidentes nos finais de semana em função da realização das ações”, diz o superintendente, Flávio Al Alam.
A mudança desta cultura já é sentida pelos taxistas, que têm visto o volume de trabalho aumentar significativamente nas noites dos finais de semana. “Aumentou muito a demanda desde a Balada Segura, hoje é comum levar grupos de três ou quatro pessoas para uma festa e já ficar com a corrida de volta marcada”, diz Inildo Rediss, diretor do Sindicato dos Taxistas de Pelotas. “O pessoal está mais consciente”, completa.
Onde e como
O levantamento do Detran mostra que dos 3.094 veículos envolvidos em acidentes fatais no ano passado, 1.067 estavam em vias municipais, ou seja, dentro de áreas urbanas ou em estradas secundárias das zonas rurais. E foi nestes trechos urbanos que aconteceram 40% das mortes.
O estudo ainda mostra que 38% dos acidentes aconteceram com carros e 21% com motocicletas. Os caminhões aparecem em 15% dos casos.
Fonte Diário Popular
